
Por Yasmin Reis e Marilene Bispo
O Brasileiro corre até no seu tempo livre. Nos últimos anos, o número de pessoas que aderiram à corrida como parte de sua rotina cresceu expressivamente, atingindo diferentes faixas etárias e tornando-se o 4º esporte mais praticado no país. É o que revela a edição de janeiro de 2026 do relatório Por Dentro do Corre da Olympikus, tornando palpável aquilo do que já se suspeitava: a corrida deixou de ser somente esporte para tornar-se estilo de vida. “Descobrimos que a corrida no Brasil não é uma comunidade. É uma nação.”, afirma o mesmo estudo. Mas por que ou do que correm os brasileiros?
Paralelamente aos corredores, o número de pessoas ansiosas, em depressão e insatisfeitas com a saúde física e mental atingiu níveis drásticos no ano passado. 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais foram registrados (Ministério da Previdência Social), enquanto, simultaneamente, o índice de insatisfação com a aparência disparou entre os brasileiros, sobretudo entre jovens mulheres de 18 a 24 anos, das quais 93% declararam vontade de realizar cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos (État Pur e Instituto Plano de Menina).
Esses dados apontam para uma epidemia em escala nacional de sofrimento psíquico e dão sentido à alta procura por alternativas de melhora no bem-estar através do esporte. A corrida se apresenta nesse cenário como uma forma de escape de baixo custo e altos benefícios, proporcionando, para além das mudanças físicas, melhorias na saúde mental e a possibilidade de socializar, pertencer e trocar em uma comunidade engajada com um mesmo objetivo: melhorar a qualidade de vida. O estudo de 2026 da Olympikus, o mais completo já feito no país, aponta a busca por saúde física e mental como o principal motivador para inserir a corrida como prática na rotina. Dos respondentes, 47% busca por melhora na saúde física, enquanto 34% busca por melhora na saúde mental.
Para Matheus, instrutor de academia formado em Educação Física pela FMU, a corrida passa a ser um estilo de vida quando deixa de ser uma atividade pontual e se torna um hábito consistente. Ele conta, ainda, sobre o impacto das redes digitais como ferramentas de atração de novos praticantes para o esporte.
“Cada vez mais pessoas estão incorporando a corrida na rotina, principalmente pela facilidade de acesso, baixo custo e pelos benefícios à saúde física e mental. [...] E as redes sociais influenciam significativamente. Elas funcionam como um fator de motivação e engajamento, ao expor rotinas de treino, resultados e experiências de outras pessoas. Além disso, criam um senso de comunidade e pertencimento, o que aumenta a consistência na prática.”
A corrida é hábito de sucesso nas mídias digitais. No TikTok, o formato daily vlog é requisito da produção de conteúdo dos influenciadores, e a corrida aparece quase sempre nesse contexto. A rede possui grande quantidade de conteúdos sobre o universo dos corredores, e atrai 64% dos praticantes (Olympikus).
Em uma relação quase paradoxal, a internet pode atuar como um motivador ambíguo: no mesmo passo que estimula comparações com corpos e rotinas irreais, também pode aproximar pessoas de comunidades que valorizam o pertencimento e o bem-estar, como a da corrida. Isso revela a importância de usar as redes sociais com inteligência, autocuidado e intenção.
A cultura da corrida promove o bem-estar, a saúde mental, o senso comunitário e a qualidade de vida. Faz parte da identidade de 15 milhões de brasileiros e nos ensina algo precioso: é possível correr sem pressa quando se corre para finalmente cuidar de si.
Sobre o Comunicalab
Este material foi produzido pelas estudantes Yasmin Reis (6º semestre) e Marilene Bispo (6º semestre). O Comunica Lab é uma iniciativa e projeto de extensão criado pelos alunos dos cursos de Comunicação, sob a coordenação da professora Lilia Horta. Com o objetivo de fomentar a produção de conteúdos para diversas áreas de comunicação da Universidade São Judas, o Comunica Lab atua como um verdadeiro laboratório prático. Dessa forma, proporciona aos alunos a oportunidade de explorar e experimentar diferentes formatos de mídia, como vídeos, textos e outros.
